sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Utopia

Hoje, durante um projeto em uma blue chip, infelizmente me deparei com uma declaração que me frustrou bastante.

Com certeza minha maior buscar hoje em minha vida profissional é vivenciar: profissionalismo, boas práticas, competência, ética, excelência, qualidade, melhoria contínua, etc... tudo que se lê nos livros, se aprende em MBA’s e que os gurus ganham dinheiro em suas palestras pelo mundo.
Não é à toa que abri mão de minha zona de conforto para trabalhar em uma big four!

Hoje ouvi de um profissional que trabalha em uma empresa referência nacional e que se cerca das melhores empresas (outsourcing) nacionais e mundiais, suas frustrações sobre seus terceiros.

Ele me falou sobre suas expectativas ao saber que seria atendido por empresas mundialmente reconhecidas, imaginava que: trabalharia com pessoal de alto nível técnico, pessoas que agregassem valor e conhecimento ao negócio e a ele próprio, existiria padrão no atendimento e que a qualidade recebida seriam a mesma recebida por todos os clientes, etc, etc, etc.

Mas o que ele vê?
O que eu via!

E eu achava que essas mesmas empresas, de marcas valiosas e prestígio, essas sim, ofereciam aquilo que eu sonhava e que ele também sonhava...

Mas não! Não!

Parece que os mesmos problemas oferecidos pelas empresas pequenas, desconhecidas e regionais, acontecem quase que na mesma proporção nas empresas celebridades.

Problemas como: não ter a visão do cliente, não entregar aquilo que foi negociado (lembra quando você chegou à minha mesa com aquele portfólio de soluções e aquele papo de multinacional?), ter sempre a geração de receita a frente da oferta de valor, oferecer algo que não pode entregar com qualidade, não ter ética, etc, etc...

Caramba, estou começando a acreditar que a empresa ideal (na visão de qualquer cliente ou guru) é uma empresa utópica, da mesma forma que os socialistas vislumbravam uma sociedade perfeita e que hoje todos vêem que é impossível.

A fórmula existe! Mas talvez o mesmo mal do homem ocidental e capitalista, ter o dinheiro com objetivo principal, seja o mal de todas as empresas.

Esqueçam todas as missões e visões, pelo visto a constante é:

MISSÃO: FATURAR!
VISÃO: FATURAR MUITO MAIS DO QUE FATURO HOJE!
VALORES: VALORIZAMOS TUDO AQUILO QUE FAÇA-NOS BATER NOSSAS METAS, DE FATURAMENTO LÓGICO!

E aquele velho ditado: não faça aos outros aquilo que você não quer que façam com você, também deveria servir para as empresas, afinal nós (ou elas) sempre estamos dos dois lados, vendendo ou comprando, dando ou recebendo, gerando receita ou reduzindo custos...

Moral da história, as empresas nada mais são do que o reflexo das pessoas que a compõe, vide e compare a pirâmide hierárquica com o corpo humano:

O topo, o cérebro; a base, os membros. Os membros só não obedecem quando cansam!

Foi um momento frustrante!